Quando de Ti vivia apartado
a deixar-me guiar pelo mundo,
eu sentia Teu amor por mim
como fosse eu um predestinado.
Desde cedo senti teu chamado
e brinquei de ser Teu servidor.
No entanto, em minha infância,
a Ti não pude eu responder.
Vários anos, então, se passaram
e estava eu jovem e adulto,
quando a força de um servo Teu
despertou algo dentro de mim.
Porém, os meus conceitos de vida
impediram de dar-Te o meu sim,
pois busquei ser a mim coerente,
não podendo pregar o não crível.
Outros tantos anos transcorreram
e o amor que sentia de Ti
nunca diminuiu ou faltou,
mesmo que para mim eu vivesse.
Certo dia – lembro ser Natal –,
recebi um imenso presente:
um pequeno livro de mensagens
de Maria, Rainha da Paz.
Tal presente mudou-me a vida,
conduzindo-me à casa de Cristo,
fazendo-me ofertar tudo a Ti,
o que eu era e aquilo que eu
tinha.
Para trás procurei deixar tudo,
plenamente tornar-me Teu servo.
Tudo o que me havias doado
para mim perdeu a importância.
Ocorreu, então, o inesperado:
Teu amor que me acompanhara
por mi’a existência inteira,
eu passei a não mais o sentir.
Apesar de sentir-me em claustro
interior, separado do mundo
e com grande angústia em meu
peito,
prossegui no serviço a Ti.
Encontrei verdadeira alegria
ao pregar o Teu Reino e a Ti,
e mesmo arqueado na fé
não deixei de orar-Te e a Maria.
Ao encontro de mui sofredores
fui, levando conforto e paz,
por um lado, a sentir-Te
distante,
mas fazendo-me Teu instrumento.
No entanto, tal não me bastava
e, em meio a perseguições,
descobri força na caridade
feita aos mais marginalizados.
E foi no sofredor e oprimido
que eu passei de novo a sentir
a mim próximo à Tua presença,
exigindo, ora, que eu O amasse.
Minha busca por Ti continua
e não me sinto abandonado.
E aos poucos eu vou compreendendo
a dinâmica do Teu amor.
Quando eu pelo mundo errava,
Teu amor procurava atrair-me,
e quando fui por Ti seduzido,
pareceu-me que não mais me
amavas.
Só agora, que velho estou,
vou sentindo-me um pouco mais
sábio,
ciente de que ao encontrar-Te
me fizeste, de amado, amador.
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