quarta-feira, 18 de abril de 2018



Fiz de mim um ser poeta
quando, ao fim da juventude,
acordei para o real,
vendo que os sonhos que eu tinha,
não mais sonhá-los podia.

Fôra a vida diferente
do que eu a planeara
e o tempo que eu perdera
não me pertencia mais,
jamais de volta o teria.

Um nada fiz de mi’a vida,
pela apatia tomado,
e a dor de, após mi’a morte,
ser totalmente esquecido,
tornei-a de versos mote.

Mais cansado a cada dia,
de meu fim não tenho medo –
vejo-o qual libertação –,
nada concreto eu deixo,
só meu sentimento em versos.


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